FLI72017: A força e o peso na escrita de Gonçalo Tavares

FLI72017: Incentivo à leitura infantil por meio de contações de histórias
4 de outubro de 2017

Considerado um dos grandes nomes da literatura portuguesa, o escritor abordou sobre o poder da subjetividade na compreensão da realidade

Texto: Jonathan Silva (Jornalismo – 4º semestre)

Foto: Bruno Moura (Publicidade – 2º semestre)

O último dia da 2ª FLI7 – Festa Literária da Educadora 7 de Setembro reservaria, no seu momento final, um dos encontros mais descritivos sobre a essência da escrita. O escritor angolano radicado em Portugal Gonçalo Tavares participou da última conferência da semana literária, no sábado (30), no Teatro Nila Gomes Soárez.

Antes de começar do encontro, um telão posicionado atrás do escritor exibia em loop a videoinstalação “As inside as the eye can see”, da artista espanhola Casilda Sánchez. Dois olhos se aproximam, se tocam com seus cílios e assim podem imergir um dentro do outro. Essa foi uma das primeiras (a única visual, porém) figuras de linguagem usadas pelo escritor para definir a síntese da profundidade que a escrita pode conseguir.

Segundo o escritor, a escrita “é uma violência muito grande sobre uma superfície”, ao que se refere ao processo manual de escrever. Partindo desse aviso aos que querem começar na escrita, o autor utilizou de outras obras ficcionais e mitos para se fazer entender a realidade.

No caso de “As cabeças trocadas”, do escritor alemão Thomas Mann (1875 – 1955), Gonçalo observa que embora o livro narre uma história fora dos padrões da lógica (um acidente que deixa dois amigos com cabeças trocadas), ele consegue exemplificar questões como maternidade, paternidade, identidade que “somente a forma realista não conseguiria mostrar”.

O autor defende também que a subjetividade é uma forma de liberdade, não impondo um argumento que se mostre como definitivo. Ao que Gonçalo ponderou sobre a limitação da objetividade, um membro da plateia lembrou-se da frase “Toda unanimidade é burra”, de Nelson Rodrigues. Concordando, o escritor completou “A objetividade é burra e é potencialmente violenta, quando não permite que o outro exista”. Três pequenos textos do autor (O Desempregado com Filhos, O Cantor e O Homem Mal-Educado) foram lidas para a plateia, como forma de reflexão da subjetividade na compreensão da realidade.

Conteúdo gerado pelo NPJOR/Curso de Jornalismo UNI7